Três formas de co-criar uma vibrante cultura de coliving.

 

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Foto: Shareable

Por Al Jeffery / Publicado originalmente por Shareable

Tradução Matheus Queiroz

Como temos visto com a  crescente popularidade do movimento de coworking, existe um forte desejo por parte das pessoas em trabalhar e viver em comunidades conectadas. A empresa de consultoria Emergent Research estima que 15 mil espaços de coworking serão abertos no mundo até 2020. Espaços de coliving, em que pessoas compartilham a moradia e as responsabilidades relacionadas, estão numa trajetória parecida  e alimentada, em parte, pelos altos custos dos aluguéis e de compra de uma casa própria ao redor do mundo. Liderando o movimento de casas compartilhadas estão negócios como o Embassy Network, OpenDoor, WeLive, Common, Roam e Base. (Nota de Matheus: todas  essas plataformas são gringas. Você conhece exemplos brasileiros? Vamos co-criar uma?)

Para garantir o crescimento sustentável dos espaços de coliving é importante focar na gestão da comunidade. Eu listei os três pontos mais importantes para co-criar uma cultura vibrante com sua comunidade na pesquisa em que fiz para meu novo livro, Modern Tribe.

  1. Mantenha uma história em comum

Quando nós nos comunicamos , algumas vezes não escutamos o que as outras pessoas dizem. Nós escutamos o que nossa mente percebe que disseram. Eu tenho observado e experimentado muitos conflitos em relacionamentos que simplesmente começam com um mal entendido em nossa comunicação.

Se nós estamos vivendo ou trabalhando próximo de pessoas, um simples mal entendido pode levar a tensões desnecessárias. É por causa disso que se percebe que muitas tribos ou comunidades antigas têm mitos ou histórias em torno de suas comunidades, representando um instrumento para manter a comunidade unida através de uma sabedoria comum. Eles têm também rituais ou simplesmente experiências que ajudam as pessoas a incorporar as histórias ou mensagens.

Quando ouvimos uma história ou vemos um objeto, nós vemos a associação ou significado que temos dado a ele. Tribos antigas usavam essas experiências para construir uma forte compreensão mútua das histórias, para garantir que houvesse um significado comum ou princípios norteadores na comunidade. Dessa forma, independentemente do que é dito ou que palavras são usadas, eles partem desse lugar de entendimento.

Nessa perspectiva , na organização que oriento para desenvolver o primeiro modelo de coliving na Austrália, nós estamos começando a realizar semanalmente a  “criação de tecido social”, encontros baseados nos nossos pilares principais para começar a moldar nossa cultura e inserir outras pessoas.

Experimente:

Convide membros da sua comunidade para co-criar uma lista de 5 princípios-guia que vocês sentem que poderiam servir para o coletivo. Por exemplo: Ouvir antes de falar ou expressar a criatividade de forma aberta e ouvir sem fazer julgamentos.

Seja criativo e e elabore um workshop ou experiência que possa levar as pessoas a darem um sentido a esses princípios. Por exemplo, você pode colocar todos sentados em um círculo para envolvê-los numa escuta ativa e  num diálogo aberto, compartilhe algo criativo e pratique o não julgamento.

Certifique-se de que, como facilitador ou guia da comunidade, você intencionalmente e ativamente incorpore os referidos princípios em todos os encontros, eventos e atividades que você lidere. Isso precisa ser feito integralmente e não simplesmente por uma questão de “ter uma cultura”.

  1. Crie espaços regulares de check-in.

Se você está morando junto ou trabalhando junto as tensões aumentam. Isso é inevitável e pode ser apenas bem administrado.  Se você olhar por trás dos conflitos que surgem em comunidades ou equipes, você vai perceber que frequentemente a questão subjacente é um erro de comunicação – falha de comunicação, comunicação confusa ou completamente evasiva. Na maioria das vezes será algo que não foi dito porque alguém que não se sente completamente seguro em expressar sua opinião.  Dê às pessoas o espaço e o convite para compartilhar essas coisas.

Crie um intencional e casual espaço semanal para todos serem presentes e honestos uns com os outros e compartilharem tudo que está e o que não está funcionando.

 Experimente:

Certifique-se de que há um facilitador que é preparado para manter o círculo, definir as expectativas e guiar as conversas. Convide todos para um jantar ou encontro informal. Um jantar colaborativo, um piquenique ou simplesmente um encontro cairá bem enquanto houver a intenção de estar presente  e compartilhar uns com os outros. Estabeleça a certeza de que todos irão ouvir sem questionar, dar respostas ou tentar resolver os problemas dos outros. Dê a cada pessoa a oportunidade de compartilhar o que está funcionando para ela e o que pode ser melhorado. Depois de cada sessão de partilha convide todos que têm uma visão sem julgamentos a ponderar o que foi dito.

Com diálodos abertos como esse, simplesmente continue compartilhando, ouvindo e realimentando até que uma solução seja alcançada. Todavia, na maioria das vezes, simplesmente ser ouvido é suficiente para desfazer qualquer conflito.

3. Crie espaços regulares de check-out.

Mesmo em um relacionamento com alguém que você ama você precisa criar algum espaço entre você e seu parceiro para manter aquela chama inicial acesa. Uma cultura pode se tornar obsoleta rapidamente se não houver energia ou inspiração no espaço. Isso é ainda mais importante se você gostaria de promover uma cultura de ideias, criatividade e inspiração no seu espaço.

Uma maneira popular de fazer isso é criar a oportunidade para dar apoio a uma organização local ou rfazer doações de uma forma que possa realmente energizar as pessoas. É semelhante ao que se vê nas yoga ashrams na Índia. Convide membros para fazer karma yoga ou serviço voluntário enquanto eles estão fora. Talvez eles ajudem na fazenda, na cozinha ou em algum outro lugar.

Fazer atividades como essa irá renovar as habilidades dos membros para estarem presentes com os outros e ouvirem profundamente, pois essa comunicação é clara e aberta e a comunidade pode fluir mais facilmente.

Experimente:

  • Pergunte aos membros da comunidade onde eles ficariam empolgados de ir para fazer um retiro e agende uma viagem.
  • Faça uma parceria com uma fazenda ou um retiro e envie os membros para trabalhar na fazenda ou fazer doações de alguma forma.

Lembre-se que para remover ervas daninhas do jardim nós não ficamos atrás da janela falando a respeito disso. Nós colocamos nossas mãos no solo e na sujeira. Cultura é algo que está vivo o tempo inteiro. Com intenção clara, percepção e ação você pode realmente criar algo que vai definir a sua comunidade ou organização independente.

Experimente essas três ideias e deixe-me saber como foi. Além disso, eu convido você para conferir meu novo livro, Modern Tribe, para saber mais. .

Maiores que Starbucks? Prevendo o Futuro do Coworking.

startup-593341_1920Por Cat Johnson

Publicado originalmente por Shareable

Tradução por Matheus Queiroz.

 

Coworking começou como um pequeno e marginal movimento de pessoas que queriam trabalhar de forma independente, mas dentro de uma comunidade. Uma década depois, esse movimento tornou-se uma indústria global de rápido crescimento, caminhando para tornar-se mainstream.

Um novo prognóstico sobre coworking, feita pela Emergent Research, aponta que o o número de espaços de coworking no mundo irá crescer dos atuais 11 mil para 26 mil em 2020. Isso é 3 mil vezes mais que o número de Starbucks em todo mundo em 2015. Ao mesmo tempo, a expectativa é de que o número de membros dos coworkings quadruplique,  saltando dos atuais 976 mil para 3,8 milhões de membros.

O crescimento dos coworkings pode ser atribuído a inúmeros fatores, embora o principal motor possa simplesmente ser o grande e crescente número de freelancers em todo mundo, o que atualmente representa, aproximadamente, 1/3 de todos os trabalhadores nos Estados Unidos. E, aparentemente, freelancers não querem se isolar com sua independência. Como disse Steve King, da Emergent Research, “Nós não estamos em nosso melhor a não ser que estejamos felizes em algum nível e nós não estamos felizes a não ser que nos relacionemos com outras pessoas… Com exceção dos empreendedores ermitões… você não será feliz a menos que mantenha relações humanas e o mundo dos coworkings fornece isso.

A disparidade nas taxas de crescimento entre espaços e membros se deve ao fato de que espaços de coworking estão, em média, ficando maiores e atendendo mais pessoas. Curiosamente, a estimativa de 3,8 milhões de pessoas trabalhando em coworkings no mundo até 2020 representa apenas 4% de penetração no mercado, o que deixa muito espaço para crescimento. A equipe da Emergent Research estima que, apenas nos Estados Unidos, 22 milhões podem eventualmente passarem a ser membros de coworkings.

O que esse crescimento impressionante significa para a comunidade de coworkings? Quando, como sugere o levantamento, até mesmo alguns Starbucks poderiam ser considerados espaços de coworking, ele levanta a questão de saber se os principais valores do coworking – comunidade, transparência, colaboração, sustentabilidade e acessibilidade – irão continuar norteando o movimento.

Considerando a força da comunidade fundadora do movimento coworking, eu acredito que os valores podem, e irão, permanecer no movimento. Mas, da mesma forma que temos que passar ao largos das rede de café para conseguir ter uma xícara de um café feito localmente e dentro dos ideias do comércio justo, você talvez precise sair da sua rota para encontrar um coworking que priorize tais valores.