As Possibilidades da Economia Colaborativa.

A Economia Colaborativa vem ganhando adeptos e despertando cada vez mais curiosidade.  Isso tem gerado também muitas discussões a respeito do conceito, sobre o que afinal é a tão comentada Economia Colaborativa. Se você já leu algo sobre esse tema provavelmente já encontrou expressões como economia circular, do compartilhamento ou economia digital.

Diante disso, ao invés de tentar estabelecer um conceito definitivo, talvez seja melhor mostrar exemplos das possibilidades que a Economia Colaborativa tem criado em diferentes áreas.

Nesse infográfico você vai encontrar links para referências dentro de cada eixo.

 

O Uber e o Futuro do Trabalho.

Para bem e para mal o Uber continua sendo assunto e gerando polêmicas. Em uma das últimas vezes que usei o serviço fui atendido por um motorista graduado em contabilidade, com pós-graduação em finanças, que estava há quase 1 ano desempregado. Bom, tecnicamente ele continua desempregado, mas agora possui renda.

Afora a batalha corporativista dos taxistas tradicionais, que não irão conseguir resistir por muito tempo, certamente o centro do debate que vem sido travado mundo afora é exatamente esse: trabalho/emprego x renda.

Recentemente li uma entrevista de Michel Bauwens sobre esse assunto. Bauwens é um grande teórico da nova economia, especialista em cooperativismo e fundador da P2P Foundation. Não é, portanto, nenhum neoliberal, nem faz apologia da tal “flexibilização das leis trabalhistas”. O que ele defende é algo muito mais abrangente. Na entrevista ele afirma que governos e sindicatos precisam repensar a posição deles em relação às grandes plataformas digitais e demais empresas ligadas à economia colaborativa. Segundo ele não há como impedir o avanço do Uber e AirBnb, por exemplo.

A chamada economia digital não vai – e não precisa – gerar empregos suficientes para todos. Pra entender isso basta dar uma olhada na comparação entre o auge da indústria automobilística, cujo centro era Detroit (EUA) e o que acontece atualmente no Vale do Silício, na Califórnia.

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Para Bauwens “a solução não é dar trabalho e sim renda para todos.” A vida toda os sindicatos, e a esquerda de um modo geral, lutaram para que o trabalhador fosse livre.  Agora brigam para que a subordinação seja mantida, pois, grosso modo, é isso que significa um contrato de trabalho: a subordinação ao empregador. Temos, portanto, que buscar alternativas para dar proteção aos autônomos, pois esse parece ser um caminho sem volta.

A grande questão é que todo nosso sistema de proteção social está vinculado ao trabalho. Você precisa de um contrato de trabalho para ter acesso ao sistema de proteção social, plano de saúde, férias, 13º e etc. Então é esse modelo de seguridade social que precisa ser repensado e passar por um processo de ampliação para incluir a proteção também aos autônomos e informais, que muito em breve passarão a ser maioria. Em outras palavras, para Bauwens ao invés de tentar transformar o motorista do Uber num empregado deve-se formular uma nova regulação que obrigue o Uber a dar ao motorista o pacote de seguridade social que só é oferecido aos empregados de carteira assinada.

Isso pode parecer revolucionário, idealista ou perigoso demais? Sim,  um pouco de cada. Mas o fato é que precisamos estar abertos a essa discussão e compreender o mais rápido possível esse novo cenário. Muita gente já entendeu isso e está se organizando em cooperativas e comunidades como o Freelancers Union ou o Enspiral, mas isso é assunto para o próximo post.

 

Maiores que Starbucks? Prevendo o Futuro do Coworking.

startup-593341_1920Por Cat Johnson

Publicado originalmente por Shareable

Tradução por Matheus Queiroz.

 

Coworking começou como um pequeno e marginal movimento de pessoas que queriam trabalhar de forma independente, mas dentro de uma comunidade. Uma década depois, esse movimento tornou-se uma indústria global de rápido crescimento, caminhando para tornar-se mainstream.

Um novo prognóstico sobre coworking, feita pela Emergent Research, aponta que o o número de espaços de coworking no mundo irá crescer dos atuais 11 mil para 26 mil em 2020. Isso é 3 mil vezes mais que o número de Starbucks em todo mundo em 2015. Ao mesmo tempo, a expectativa é de que o número de membros dos coworkings quadruplique,  saltando dos atuais 976 mil para 3,8 milhões de membros.

O crescimento dos coworkings pode ser atribuído a inúmeros fatores, embora o principal motor possa simplesmente ser o grande e crescente número de freelancers em todo mundo, o que atualmente representa, aproximadamente, 1/3 de todos os trabalhadores nos Estados Unidos. E, aparentemente, freelancers não querem se isolar com sua independência. Como disse Steve King, da Emergent Research, “Nós não estamos em nosso melhor a não ser que estejamos felizes em algum nível e nós não estamos felizes a não ser que nos relacionemos com outras pessoas… Com exceção dos empreendedores ermitões… você não será feliz a menos que mantenha relações humanas e o mundo dos coworkings fornece isso.

A disparidade nas taxas de crescimento entre espaços e membros se deve ao fato de que espaços de coworking estão, em média, ficando maiores e atendendo mais pessoas. Curiosamente, a estimativa de 3,8 milhões de pessoas trabalhando em coworkings no mundo até 2020 representa apenas 4% de penetração no mercado, o que deixa muito espaço para crescimento. A equipe da Emergent Research estima que, apenas nos Estados Unidos, 22 milhões podem eventualmente passarem a ser membros de coworkings.

O que esse crescimento impressionante significa para a comunidade de coworkings? Quando, como sugere o levantamento, até mesmo alguns Starbucks poderiam ser considerados espaços de coworking, ele levanta a questão de saber se os principais valores do coworking – comunidade, transparência, colaboração, sustentabilidade e acessibilidade – irão continuar norteando o movimento.

Considerando a força da comunidade fundadora do movimento coworking, eu acredito que os valores podem, e irão, permanecer no movimento. Mas, da mesma forma que temos que passar ao largos das rede de café para conseguir ter uma xícara de um café feito localmente e dentro dos ideias do comércio justo, você talvez precise sair da sua rota para encontrar um coworking que priorize tais valores.